UMA ESPÉCIE DE MAGIA... QUEEN EM MADRID por Sérgio Marques
1 de Abril de 2005
Depois de uma longa viagem de autocarro, Lisboa - Madrid, acompanhado por mais 4 fãs dos Queen, David, Luís, Nuno, e Devesa, cheguei a Madrid por volta das 6 da manhã. No hotel conheci mais dois fãs, Nuno Custódio e Manel, este último já tinha assistido a um concerto dos Queen em 1979, em Londres. Aproveitámos a manhã para ir dar uma volta a Madrid, ver as lojas de discos, e comprar a revista Rolling Stone, pois os Queen eram capa!
Cheguei juntamente com o David, Luís, Manel, e Custódio, ao Palácio De Los Deportes, por volta da hora de almoço, e desde logo fiquei emocionado. Em volta do pavilhão, já havia centenas de fãs dos Queen de todo o mundo, que tem seguido a digressão, envergando t-shirts, como bandeiras e cachecóis. Até houve quem se lembrasse de trazer garrafas de champanhe Moet Et Chandon. Entre os muitos fãs presentes, encontramos o já famoso japonês, imitando o nosso Freddie, e animando os fãs! Todos o acompanhavam cantando e tirando-lhe fotografias, até houve quem fizesse a batida de We Will Rock You nos contentores de lixo. Fãs portugueses já havia uns poucos. Reconheci de imediato o Marco com a sua mãe, e um amigo, que estavam juntamente com uma fã brasileira... quem será esta? Lady Taylor pois claro!

O "Freddie" Japonês foto:Sérgio Marques
Ao longo da tarde, Lady, contou as suas histórias, os concertos em São Paulo em 1981, como conheceu os Queen no Rock In Rio 1985, entre outras experiências inesquecíveis. A meio da conversa tive a informação que não podia levantar o meu bilhete antes das 17 horas, o que me deixou em pânico! Ainda não estar em posse do ingresso para um concerto dos Queen, poucas horas antes de este começar é angustiante. Quando abriu a bilheteira, a fila era enorme para quem tinha comprado pela servicaixa (o meu caso). Quando chegou a minha vez, apresentei os documentos solicitados, o cartão de credito e o bilhete de identidade. Foram à procura do meu ingresso entre uma imensidão de envelopes... Passado uns longos minutos, ainda não tinham encontrado o meu bilhete!! Veio a funcionária perguntar, em que nome estava, pois, o cartão de crédito estava em nome da minha mãe, mas a encomenda estava em meu, expliquei... Mais uns minutos à procura, Até que finalmente encontram o envelope com o meu bilhete! Pedem a identificação novamente.. mas tinha que ser a da minha mãe, pois o cartão de crédito era dela! Entrei em pânico, mostrei no meu BI, mostrando o nome da minha mãe na filiação. Sentia-me a tremer por tudo o que era lado, com o coração a bater mais forte do que nunca, a funcionária aceitou a minha identificação, e deu-me uma treta qualquer para assinar. Bem... Não consegui escrever o meu nome, era impossível!!! Mal segurava na caneta! Escrevi uma porcaria de um S e de um M que mais pareciam linhas de um sismógrafo num sismo de máxima escala!! Finalmente, que felicidade já tinha na mão o meu bilhete para ir ver os Queen!
Volto para a porta de entrada no Palácio de los Deportes, onde já se encontrava o Filipe, a Joana, o Nuno e Devesa, mesmo no início de fila, juntei-me a eles. Quando abrissem as portas seríamos os primeiros a entrar. Entretanto, tinha recebido uma mensagem de uma fã desesperada, que tinha chegado ao pavilhão, e não sabia onde é que se levantava os bilhetes, era a Cristiana! Não a conhecia, sabia que tinha uma magnifica tatuagem dos Queen no pescoço. Quando estava prestes a responder à mensagem, vejo uma rapariga muito apressada a passar à minha frente, e com a tal tatuagem, era ela! Disse-lhe onde levantar os bilhetes, e mais tarde juntou-se a nós, no inicio da fila. Finalmente abriram as portas, consegui um lugar mesmo junto às grades, mas infelizmente do lado contrário onde se iria encontrar o Brian, mas como hei-de explicar mais adiante, não me arrependi da escolha!
O CONCERTO
Paul Rodgers dá início ao concerto, entrando sozinho em palco, Reachin' Out é o tema escolhido, com Spike Edney nos teclados, deixando a assistência ansiosa pela chegada dos Queen. Começo a ver uns contornos de alguém conhecido... Era Brian May e mal os holofotes o focam, o entusiasmo dos fãs transforma-se num barulho ensurdecedor , e ouvem-se os primeiros acordes de Tie Your Mother Down!! Brian percorre o palco energeticamente de uma ponta à outra com a sua Red Special, fazendo entrar em delírio os presentes. Juntamente com os Queen e Paul Rodgers os restantes elementos que acompanham a digressão, Danny Miranda na guitarra baixo, Jamie Moses na guitarra ritmica, entram em palco.

Brian May foto:Sérgio Marques
Segue-se Can't Get Enough Of Your Love, e I Want To Break Free. Antes de começar Fat Bottomed Girls, Paul Rodgers pede uma bandeira ao público, mas não foi a espanhola que recebeu... mas sim a bandeira portuguesa!!! Era a bandeira do Nuno Custódio e que a Joana a agitava constantemente! Paul Rodgers começou a música, segurando-a, os espanhóis estavam incrédulos perante o que acabavam de assistir! A bandeira ficou em palco o resto do concerto, junto à bateria de Roger Taylor!

Paul Rodgers foto:Sérgio Marques
Depois de Crazy Little Thing Called Love, e Seagull, ambas com Paul Rodgers como vocalista, uma outra agradável surpresa, Jim Beach, o conhecido manager dos Queen, estava mesmo à nossa frente! Chamámo-lo, e conversámos um pouco. Apresentamo-nos como elementos do clube de fãs dos Queen português, ele falou-nos do concerto em Lisboa, dia 2 de Julho. Cristiana aproveitou para lhe mostrar a sua tatuagem, e eu ofereci-lhe uma t-shirt do clube que Jim, colocou de imediato nas costas, agradecendo a nossa lembrança!

Jim Beach (com a t-shirt do nosso clube de fãs) e Brian May foto:Sérgio Marques
Entretanto chega um dos momentos altos da noite. Brian surge no palco secundário, e interpreta 39´ e Love Of My Life. Na introdução da primeira música diz que o espírito dos Queen continua bem vivo, na segunda, fala em castelhano, dizendo que que iria interpretar uma canção para Freddie, mas demorou a começar os primeiros acordes... 14 mil pessoas gritaram o nome de Freddie durante largos segundos!! Brian emocionado interpreta magistralmente Love Of My Life, durante estas interpretações no palco secundário, não posso deixar de chamar a atenção para o facto de haver 2 bancos e um deles, como é lógico, estar vazio. Foi algo que me emocionou a mim, e a muita gente.

Queen foto:Sérgio Marques
Hammer To Fall, é apresentada com uma versão acústica pouca conhecida, com Brian a cantar, seguindo-se depois a versão conhecida, com Paul Rodgers na voz. Em seguida ouviram-se A Little Bit Of Love, e Im in Love With My Car, esta última com Roger Taylor a cantá-la na bateria! Brian arranca depois com um solo de guitarra que inclui Last Horizont.

Roger Taylor foto:Sérgio Marques
De These Are The Days Of Our Lives, Roger faz uma brilhante interpretação, em frente do palco, ao lado de Brian. Por trás, num ecrã gigante, são passadas imagens dos Queen, na primeira visita ao Japão em 1975, tratou-se de mais um momento extremamente emotivo.
Perante Radio Ga Ga na voz de Roger e Paul, o público é chamado a entrar no espectáculo, foi maravilhoso, olhar para trás, e ver aquela multidão, de mãos no ar, e a bater palmas! Paul Rodgers interpreta as próximas músicas Feel Like Makin' Love, I Want It All, e A Kind Of Magic, nesta última faz uma brilhante performance.
Bohemian Rhapsody, Freddie ao piano, em Wembley, surge no ecrã, senti um enorme arrepio logo nas primeiras notas! Foi um momento único! Brian e Roger o acompanharam Freddie. Foi uma sensação impossível de descrever. Paul Rodgers entra na parte "heavy" fazendo um dueto com Freddie que ao terminar da música, aparece novamente no ecrã, não em 1986 em Wembley, mas no videoclip These Are The Days Of Our Lives em 1991, baixando a cabeça e despedindo-se dos fãs, enquanto acabava de se ouvir a sua maior obra de arte.

Freddie, Bohemian Rhapsody foto:Sérgio Marques
The Show Must Go On, All Right Now, We Will Rock You e We Are The Champions, são as ultimas músicas do concerto. Queria destacar, e tenho que ser justo, a antiga música dos Free, All Right Now que foi também um dos bons momentos e muito bem recebida pelo público, maioritariamente fãs dos Queen. Por fim, como não poderia deixar de ser, os agradecimentos, da banda, ao som de God Save The Queen.
Tinha acabado de assistir a um concerto dos Queen, a banda de Freddie Mercury.

Sérgio Marques 2005